Alguem sempre me diz:
_ Isso o que você faz, tem que ter o dom!

Então cato meus cigarros, meu vinho barato
e minha já citada cadeira de praia.
É este meu maravilhoso ritual da sensibilidade.
Elas costumam achar que é sempre
tão mágico o momento da criação,
mas é assim que desenho meus poemas,
digerindo coisas que estão me envenenando por dentro.
Nada muito diferente do fatídico poeta apaixonado,
este está também envenenado.
A diferença é que um de nós dois
já estará morto antes da primeira publicação.
Sigo ininterruptamente minha tradição.
Dependo disso porque acredito nisso
e só assim o faço.
Salvo somente por esses traços
que rabisco antes mesmo de desembrulhar meu primeiro maço,
enquanto assisto o enterro do poeta que passa na televisão.

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