Amores para os dias frios.

Esfriou. Sei que estou bem sozinho. A minha companhia me basta. Ainda assim, quando puxo o velho moletom do armário, não deixo de lembrar dos dias em que eu não estava assim. Eram os dias frios de amores – e, por favor, leitor, não confunda com os dias de amores frios. Eu escrevo, aqui, do aconchego. Dos pés entrelaçados no sofá. Da sopa e o jazz apoiados na mesa do centro. Nestes dias, o meu velho moletom nos vestia. Um ‘nós’ indeterminado. Passado e futuro. Partido ou por vir. Hoje, eu estou bem sozinho. Esquento o meu pé com macias meias. Aqueço a alma com alguma bebida. Escolho, com os meus próprios devaneios, o próximo filme. Não são dias ruins. São dias leves, eu diria. Ainda assim, sinto falta. Sinto falta de ter alguém para cuidar. Sinto falta de ter alguém para cuidar de mim. Não são ruins os dias frios. Nunca foram. Amo a beleza do ser sozinho. Mas admito: como são bons os amores nestes dias frios.

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