Prefiro a dor do “não” do que a presença do “quase”.

Muito pior do que a certeira desilusão causada por um “não”, a presença de um “quase” no percurso da vida talvez seja a mais angustiante experiência pela qual podemos passar.

É que um “não” dito em alto e bom som, muito embora possa nos deixar com a sensação de que não vivemos tudo, traz consigo a certeza de que acabou.

Um “quase”, entretanto, deixa uma lacuna difícil de ser preenchida. Pior: deixa uma lacuna que parece estar sempre perto de se preencher. Cria-se, então, a esperança de que mais dia, menos dia, aquilo que lhe faltava não mais lhe faltará. Retira-se do coração a capacidade de saber para onde ir e faz com que outros caminhos pareçam sempre precipitados.

Mas acredite. Só o tempo é capaz de nos fazer compreender que o “não” também pode sair do lado de cá. É quando você passa a dizer não ao que te machuca, não ao que te diminuiu, não a tudo o que lhe parece incompleto… E assim, enfim, a vida desabrocha por completo. Bem aí, diante dos seus olhos, ao alcance do seu coração.

6 comentários

  1. Sei bem!! Há muito vivi a ilusão do “quase “. Difícil enxergar o “Não ” nas entrelinhas . Precisamos querer abrir os olhos e partir de nós mesmos os ” nãos ” que nos fazem mal .
    Adorei como sempre seu texto !! Quanta sensibilidade !! Parabéns

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