Noturno

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“O bandeirante percorreu os cômodos
e escolheu um rosto na velha galeria.
Ele percebeu que vida, era um opção,
mas que navegação, era algo imprescindível.”

Será que por fim um dia soubera?
Que respirar era uma porta cerrada à espera da entrada, o espasmo antes
do adormecer, que se lembrar era talvez sonhar e então ter estado ali
talvez fosse vida, talvez fosse outra coisa parecida.
O despertar da porta rangendo no fim do corredor, o cheiro das flores, as
figuras geométricas bem impressas à luz nas paredes e no teto.
Ter caminhado ate ali era lembrar, mas atravessar aquela porta fosse
talvez sonhar, pois viver sempre fora retornar.
Com o conhecimento dos barcos, o lamento das aeronaves, meter a mão
contra a maçaneta e invadir de respiração suspensa aquela porta, era
agora bem mais que estar ali, que ter estado ali, era fatalmente estar de
volta ali.
E era como o rubi, era como o sangue, era como o sonho inquieto do
andarilho noturno. As paredes eram vermelhas e os móveis suspensos, a
única presença viva era inerte e pulsante, corpo cor de luz de velas,
medidas e temperaturas que se confundiam ao ambiente. Teria
caminhado firme e tocado os moveis, teria o feito com a verdade de quem
caminha pelo jardim, teria jamais questionado se não tivesse sido
denunciado, conhecera certa vez a realidade, lhe chamara pelo nome e
lhe apertara a mão e dentre tudo ali presente, essa mesma não estava lá.

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