Almofadinhas

 

almofadinhas

 

 

Queriam renovar a sala de espera do consultório. Pintura nova, ar condicionado, cadeiras com brilho de novas. Tudo novo, exceto pelas almofadinhas. Eram coloridas demais e já desgastadas pelo tempo de uso. A solução óbvia era substituí-las. Mas que cor escolher? As opiniões se dividiam entre o liso, o estampado, as cores sóbrias dando ar de seriedade ou algo mais alegre já que se tratava de um consultório de psicologia e psiquiatria. Até zebras discretas foram sugeridas, mas não chegávamos a um consenso. As capas não existiam da forma como imaginávamos, os tecidos eram caros, as iniciativas de irmos à 25 de março procurar algo se perdiam no mormaço do fim de semana. A situação se arrastou dando a sensação de incompletude. Faltava resolver aquilo. As férias chegaram e terminaram e nada: elas permaneciam ali, murchas e deselegantes.

Um dia ela decidiu tomar uma providência e recolheu todas para levar à costureira do bairro. Qual não foi a surpresa ao descobrir uma recepção muito mais bonita e agradável sem elas. As cadeiras ganharam vida e os olhos se tranquilizaram sem aquela poluição visual. Ela percebeu que sempre detestara aquelas almofadas, se deu conta que os pacientes sequer as usavam e logo elas se acumulavam num canto. Entendeu que às vezes é preciso eliminar os excessos na vida (e na sala de espera) e experimentar espaços vazios dentro e fora de si. E os pacientes adoraram a nova recepção.

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