Todo Carnaval tem seu fim

 

seufim

 

 

Em pleno Carnaval ela está sozinha. Um ou outro carro fazem barulho, mas nada de samba.

O gato olha para o infinito com pensamentos de gato. E ela pensa nos Carnavais do passado, sempre com alguém. A folia não preenche mais. Tudo vazio: os blocos, as músicas, o excesso de álcool, os beijos anônimos.

Sem fantasia ela busca se encontrar. Lá fora o tempo não passa. Aqui uma retrospectiva de tudo que poderia ter sido e não foi. Outro ônibus. Mormaço.

Sem máscara ela consulta o espelho. Envelheceu. Outro dia era ano novo, lembrou enquanto acendia um cigarro.

Daqui a pouco era quarta-feira de cinzas. Ela, que sempre foi católica, esqueceu a simbologia da data. Mas sabe que tudo acaba. Os amores. O tempo. A juventude. E até mesmo o Carnaval.

Já era tempo de parar de fumar e de sofrer por bobagens. Apagou o cigarro. O gato adormeceu. E tudo ficou em silêncio.

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