Quando amei, não sabia amar.

 

quando amei

 

 

Quinze anos, primeira namorada. Lembro perfeitamente que minha sensação intensa e íntima era de que aquele, verdadeiro amor, seria para a vida toda. Era a minha vontade, minha energia convergindo de todas as direções para algo que mal cabia em mim.

Era minha primeira oficina de teatro, já tínhamos trocados olhares e minha respiração em diversos momentos ficou insuficiente, mãos suaram, pressão oscilava, coração apertado, voz trêmula, timidez batendo recordes e paralisia me tomava quando ela passava até de longe.

Na plateia do teatro, sentei ao seu lado e quando as luzes se apagaram fui tomado por algo que nem sei o nome, mas fez com que minha mão direita lentamente fosse ao encontro de sua mão esquerda e ali repousou. Formigamento corporal grau 20 na escala de 1 a 10. Era o caminho para o meu primeiro beijo.

Virei (longos minutos depois) e disse: “Gostei de você.” e ela respondeu: “Eu também.”

Naquela noite foi a única conversa que tivemos, mais que suficiente. No dia seguinte, após um exercício de relaxamento fui ao seu encontro e disse: “Trouxe algo pra você”, ela perguntou o que era e respondi: “Feche os olhos!” e então a beijei. Lindo? Sim e muito, eu era tímido demais (até hoje) e aquilo pra mim abriu portas de dimensões ocultas da vida de um ser que após quinze anos de existência tocou os lábios de outrem pela primeira vez.

Namoramos dois anos, com um ano ela ficou com outra pessoa. Chorei, copiosamente na rua, o mundo ao redor não existia. “Como ela pôde fazer isso?” – questionei, perdoei, aceitei, mas eu não sabia o que estava sentindo. Era dor? Era, tão grande ao ponto de sentir o peito apertar como se estivesse sendo esmagado, estrangulado pelo teto de um quarto escuro, em total silêncio e sem janelas. Só nós sabemos da dor que sentimos, mas vejo hoje que não sabia o que fazer com tanta dor, não tinha entendimento sobre o amor, porque ninguém explica e a gente não lê essas coisas, a gente vive.

Não sabia que amor também pode andar com a dor e que esse processo todo de passar por isso é algo muito pessoal, íntimo e por vezes não choramos o que temos que chorar, para então perceber que a dor chega rasgando, mas cabe à nós fazermos com que ela vá embora.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s