Estava imóvel, parado em pé na frente da janela do quarto vendo a cara do céu se contrair em uma expressão de nuvens fechadas e escuras quando a aguá desceu.
Abri melhor as cortinas e a janela, girei nos calcanhares e encarei o televisor.
Na tela, um palhaço dançava abobado de patins sobre o gelo, mas eu não ri, ao invés disso chorei. O fiz compulsivamente.
Eu estava do avesso, de trás para frente, com o dentro virado para fora. Quanto mais engraçado soava, mais eu chorava e chorava como chovia lá fora e chovia aqui dentro pela janela largada aberta.
E se não fosse eu? E se a vida tivesse avessado?
Por isso ao invés de rir, eu chorei para a Tv.
Não era engraçado porque não era um palhaço o que estava ali dentro,
palhaço era o que estava aqui fora.

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