Conversa de atum

 

conversa de atum

 

Poucas pessoas eu vejo falarem do atum quando se referem a algo que gostam muito de comer. Talvez porque o atum seja algo do tipo ame-o ou deixe-o. Outro dia tive conhecimento que um médico famoso de São Paulo, no auge dos seus 70 e poucos anos, come todo o dia uma lata de atum no almoço. Segundo ele, come apenas isso para não sentir sono ao atender os pacientes no período da tarde.

Pizza de atum também é algo que pouco vejo as pessoas pedirem, parece até que apreciar o atum é algo de quem tem um gosto peculiar. Eu como pouco, bem de vez em quando, mas ao pensar nele me vem uma lembrança muito especial e feliz.

Quando criança, estudava em uma escola do Estado e o auge da diversão na época eram as excursões. Dia de festa, zoeira dentro do ônibus, sem aula e diversão garantida. Lembro-me que quando tinha mais ou menos uns 10 a 12 anos havia excursão para o Playcenter. Para quem não sabe, ele foi um parque, existiu até 2012 quando e depois de 39 anos em operação fechou suas portas acompanhado de muitas lágrimas. Lágrimas, pois era o parque queridinho de muitas, mas muitas excursões e famílias que foram crescendo e levando outras gerações para se divertirem nele. No auge do seu funcionamento chegou a receber 400 mil pessoas em um único mês. É difícil se despedir de algo que fez parte da nossa história. Para mim era um parque que nunca iria fechar.

Quando tinha excursão lembro de minha mãe preparando lanches para levar, eram devidamente arrumados em um tupperware verde água que ela colocava em minha mochila com uma garrafinha com suco de pozinho. Embrulhado em papel alumínio e feitos com pão de forma, os lanches eram recheados com patê de atum e lembro do gosto deles até hoje. Talvez as pessoas ainda não percebam claramente, mas pequenos gestos de cuidado podem nos fazer carregar para vida a alegria de sentir que alguém em determinado momento cuidou de nós.

Para matar a saudade outro dia eu mesmo fiz o patê, e ao longo de três dias comi um pacote inteiro de pão de forma com ele, foi uma alegria só.

Minha mãe hoje não faz mais o patê de atum, mas continua a sua maneira, cuidando como se eu de fato não tivesse crescido. Obrigado mãe.

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