O AMOR TEM BAFO

 

bafo

 

 

Sua cara estava marcada com o vinco do travesseiro, um corte se alongava dos seus olhos até o meio da sua bochecha. Seus olhos inchados, recém abertos para o dia, me olharam com susto. Como na maioria das manhãs, você tem pesadelos. Já me acostumei a dormir e te acalmar ao longo da noite, porque você está sempre com medo. Eu não sei o motivo de tanto medo ao anoitecer, mas também não importa, eu estarei lá para te proteger.

Você me reconheceu e sorriu. Fechou os olhos fazendo charminho e me abraçou. Pulou da cama porque estava atrasada para o trabalho. Seu cabelo estava todo embaraçado e sua cara, bem amassada. Tem gente que acredita que a beleza mora nas roupas finas, maquiagens caras e penteados da moda. Eu não. Para mim, a beleza estava naquela cena: você, como você é. Eu acredito que a sua beleza só pode realmente ser percebida na primeira hora do seu amanhecer.

Você estava inteira ali, só para mim. Seu corpo nu, suas olheiras, seu cabelo despenteado, sua cara amassada, seu rosto sem maquiagem. Você de verdade, a mais encantadora das paisagens. Nada era perfeito na cena e, por isso mesmo, uma das coisas mais linda que já vi.

Depois de pronta, você voltou e me beijou, ainda com bafo. Você só escova os dentes depois da sua xícara de café. O gosto do seu beijo tinha sabor de verdade. O glamour do amor não está na champanhe e no caviar dos restaurantes caros, está o mau hálito das manhãs que sempre se repetem, mas são sempre inéditas.

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