Demorei para entender essa angústia. Como poderia me sentir enjaulado, se não há uma grade sequer à minha volta?

São os seus repetidos olhares de reprovação. As conversas paralelas que não te envolvem. Os sorrisos que não são por sua alegria. Meus abraços apertados que não te pedem autorização.

Os amigos de bar. As conversas de WhatsApp. Todo happy hour da empresa. O futebol das quintas-feiras. As senhas pessoais que não te ofereço. Quando foi que virou minha dona, não minha companheira?

Meu único motivo legítimo de alegria: você. Qualquer felicidade que nasça fora do seu corpo é uma transgressão. Qualquer admiração por outra alma, pecado. Já não é mais sobre viver, é sobre viver para você.

Nada que me encurrala tem outra matéria a não ser a sua. Você é as paredes que me sufocam, que encurtam o meu espaço. Cada gesto meu que te desagrade, menos um metro para mim. Cada olhar que você reprove, menos um metro para mim. Cada passo que não te envolva, menos um metro para mim. Você me encolhe na medida em que se alarga.

Demorei para entender essa angústia, mas entendi. Aqui em seu amor eu não tenho uma casa, tenho uma cela.

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