Você foi, mas nunca partiu.

 

foi

 

 

Você deu as costas e fechou a porta, mas a fronha do meu travesseiro ainda tem o cheiro do seu perfume e seu brinco ainda descansa sobre o meu criado mudo.

O fio do seu carregador ainda está embolado com todos os seus colares, largados aleatoriamente em cima da pia do banheiro. Sua toalha pendurada no box ainda está molhada.

Você saiu da minha casa, mas deixou uma escova cheia dos seus cabelos e uma xícara de café borrada com o seu batom. Seu quadro da Frida, que pendurou na exata parede que eu não queria, ainda está aqui me encarando.

Porque não arrumou a bagunça antes de partir? A faxineira veio e arrumou toda a casa, mas é dentro de mim que os brincos, colares, xícara e toalhas estão desorganizados. Quem é a diarista que vai me por meus dias no lugar?

Joguei suas coisas pela janela e lavei minha fronha com gasolina. Pois minha cama pegou fogo e suas coisas voltaram para o meu peito, como os demônios voltam para o inferno depois de rirem da cara dos pecadores que humilham. Aqui o cheiro não é de enxofre, só teu maldito perfume.

O tempo aqui dentro não passa. Cada hora é muito mês de nenhum você.

Você saiu, mas ficou. Sua presença ainda é tudo o que eu tenho para sentir. Porque não levou minhas memórias na tua mala? Porque não carregou meus planos de te ver engravidar dos nossos futuros?

Você foi, mas não partiu. Só ficou partido o que te dei por inteiro.

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