Nossas Vulvas

 

nossas vulvas

 

 

Somos muitas, somos várias, somos todas. Não pense você caro leitor que ao falar de vulvas, estou falando especificamente de um público ou pessoas de determinado gênero. Tudo isso sobre intimidade diz respeito a todos nós.Não no sentido de invasão da vida alheia, rompendo os limites da liberdade, mas a reflexão do que temos, do que somos e de como isso reflete no mundo ao redor, isso sim nos cabe.

Vulvas,penis,pernas,orelhas,cinturas,olhos,bocas. A beleza ao longo da história teve como definição a aproximação com a perfeição e pronto, está feita uma das maiores armadilhas do ser humano. Feita por ele e para ele. Estabelecer um padrão estético de modo a utilizar dessa imagem para sobrepor a vida de todos.

Segundo órgãos internacionais de pesquisa em saúde, o Brasil é o segundo maior país na quantidade de procedimentos estéticos realizados. Há tanto que consertar não é mesmo? A curva aqui, a saliência ali, o volume acolá. A ausência que nos habita, a cor que nos incomoda. Ninguém escapa, ninguém. O corpo é matéria para comparação em praticamente todos os eventos sociais. “Nossa como você emagreceu!” – Muitos já ouviram. “Olha como fulana engordou?” – Muitos outros já cochicharam.

Infelizmente as mulheres sofrem e muito com isso, há uma indústria que joga na cara todos os dias um jeito de ser mulher totalmente vendido à estética. E a partir disso, consomem, consumimos, somos consumidos.

A consciência corporal dismorfe é com um precipício, a beira dos nossos pés. O que é o seu corpo? Como é o seu corpo? O que você me diria sobre o seu corpo e sobre quem você é com relação a ele?

Altas são as estatísticas de cirurgia íntima nas mulheres, inclusive antes mesmo de terem sua primeira relação sexual. Já ouvi relatos de modelos que tomam uma bebida de reposição de sais e comem algodão antes de entrarem na passarela, blogs ensinando como praticar a bulimia e uma legião de pessoas a praticar, mas como assim?

Onde foi parar o nosso olhar? Sinto que o Encantamento perambula triste. Andam por aí perdendo os olhares brilhantes fitados nos belos cabelos sobre os ombros e braços nus dançando sobre o ar.  Não são as bocas que andam cinzas, mas os olhares que estão opacos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s