A sociedade e o espetáculo.

a sociedade

 

Começou assim, em meados dos anos noventa a então conhecida internet se popularizou pelo mundo. Pessoas passaram então a ter em suas vidas um elemento tão presente como o ar que respiramos. Somos uma geração de cobaias, vemos de tudo em uma terra sem fronteiras, sem leis, sem limites, que pulsa 24 horas por dia, não se cansa, não se desgasta e aceita tudo o que o ser humano produz. Do caos à paz, da podridão vertiginosa de egos inflados e vazios à luz vinda de demonstrações de humanidade.

 

Temos hoje uma internet que em vários momentos penso se não deveria se chamar reduto da sujeira humana que vaza pelos poros dos que carregam consigo ódio e intolerância. Somos o produto, explorados à exaustão, assim como ela também pode ser uma droga viciante. Não é à toa que até a Organização Mundial de Saúde já classificou esse vício digital como uma doença. Na filosofia, representantes da escola de Frankfurt, nos estudos da Teoria Crítica já alertavam sobre o poder que qualquer comunicação de massa poderia ter sobre as pessoas. Colocadas sob uma posição de sedução e quase hipnotismo, servindo às instituições que buscam apenas o lucro.

 

Porém, há outro lado, é importante vislumbrarmos outro lado. A internet é uma representação micro da sociedade em que vivemos e com isso é possível também encontrar amor, testemunhar encontros que transcendem para o real e solidariedade que habita a vida de muitos. É também graças à ela que estou aqui e tenho a possibilidade de escolher entre tentar me comunicar para o bem ou para o mal.

 

Já conheci muitas pessoas pela internet e isso me trouxe aprendizados, emoções, amor, choro, saudade, solidão. A nossa verdadeira estrada é do olhar para dentro, mas então porque fixamos tanto o olhar para o mundo afora? Compulsivamente, inconscientemente consumimos vidas alheias com nossos olhares, escolhemos pessoas arrastando o dedo em uma tela, olhamos e olhamos. Em sites de vídeo vejo comentários: “Mostra a sua casa!”, “Mostra as suas roupas!”, mostra, mostra, mostra…

 

Quem é esse grande outro à quem tanto desejamos? Carregamos uma fome tentando saciar um buraco dentro de nós, mas essa não é a internet que eu quero. Qual é a internet que você quer?

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