Nós também somos feitos dos amores que não vivemos.

Eu me lembro de cada um destes. Eu me lembro como se tivessem existido. Cada uma das promessas que escrevemos de envelhecer um ao lado do outro – promessas que nunca encontraram o momento exato de se cumprirem. Das sextas-feiras desenhadas com tanta precisão, onde dividiríamos o tédio, o sofá e um vinho qualquer, dando à nossa existência, algum sentido. Sextas-feiras que nunca existiram. Eu me lembro das promessas de nos apoiarmos nos dias difíceis. Nos dias importantes. Nos dias sem qualquer valor. Nós os valorizaríamos. Eu guardo dentro de mim tudo isso. Tudo aquilo que não vivemos. Os amores que vi chegarem em uma manhã qualquer e precisei perder antes do fim do dia. Que viraram sozinhos em alguma esquina da vida e eu não pude acompanhá-los. Que dividiram estas mesmas promessas de noites de pijamas com outros indivíduos. Nós nunca existimos. Mas sou feito de tudo isso. Os jovens talvez sequer entendam a nossa história, estas promessas e falas de um livro ou de um filme antigo. Mas nós sempre teremos Paris. Ou qualquer outro lugar do mundo, qualquer música, qualquer lembrança boa que nos permita lembrar de tudo aquilo que não foi vivido.

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s