Ao amor, eu ofereço.

Enquanto pela porta adentro não transcende o afago toque dos lábios pungentes, é comum pensarmos o que queremos e esperamos da forma, cor, textura, sabor e palavras com que o amor deva chegar em nossas vidas. Tanto queremos, mas o que oferecemos?
O que efetivamente temos e iremos doar? Confesso que já chorei porque queria um amor e por tal dor me senti partido e só, e por me sentir só apenas queria e incessantemente pedia que ele chegasse e me preenchesse por dentro. Eu sofria oco.
Lembro-me de noites onde, quando todos dormiam, eu ainda estava lá, sem noção alguma da dimensão do mundo e sentindo que o meu mundo de dentro era o que sofria mais. Eu queria ser amado, quem não?
Eu sei, é clichê, egocêntrico, bobo e talvez até ingênuo, ainda mais por pensar que cada dia sem uma possível certeza era algo que me remetia à uma lacuna cavada com mãos frias, meu peito era um aberto desfiladeiro com plantas áridas e inanimadas. Não há certezas, mas decisões.
Refleti, me tranquei e me abri. Sempre fui um tanto calado, mais ouvinte que falante, mais do olhar do que do grito, mas em determinado momento procurei reparar em mim e ao invés de querer um amor, eu resolvi oferecer ao amor e então escrevi.
Me permitam expôr uma breve carta ao Amor: “Amor, venha!OK, eu sei, venha no seu tempo e a seu modo, uma vez que tal sentimento tão nobre não segue convenções sociais, nem tampouco amarras temporais pelas quais somos (des)orientados dia a dia. Lhe escrevo de maneira singela, pois quero dizer-lhe que não choro mais. Em mim não habita um buraco, estar só não é drama de novela das nove. Não quero sugar-lhe com minhas inseguranças e medos, pois isso sei não fazer parte de ti. Cuidarei também de mim.
Não vou lhe agarrar como quem quer engolir tudo e todos por obsessão e por não entender que amar está ligado à liberdade.
Eu lhe ofereço estar presente, ser eu mesmo, abraços quentes, entrelaçamento de pernas sob o edredon, saudade travestida de bilhetes e som. Lhe ofereço silêncio, reflexão, paz, livros, minha imperfeição e coração, pois ali abrigará um alguém e comigo andarão suas mãos e sonhos.”
Oferecendo, receberemos.

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