Silêncio.

José Carlos, 55 anos, há 20 como taxista, veio da Bahia procurando uma vida melhor. Fala pouco, voz grossa, semblante sério. Parece uma história comum de muitas das pessoas que habitam São Paulo não é mesmo? Acontece que é e até ai nada demais.

Porém, nesse dia era eu o passageiro e ali alguns fragmentos dessa história escutei. Perguntei se ele ainda tinha família na Bahia e se sentia saudade de lá.
Fez uma pausa e disse que gostava dos amigos que ficaram – “o tempo vai passando e as pessoas vão se esparramando pelo mundo, os amigos que antes encontrava quando ia à Bahia já não estão mais por lá. “

Senhor José constituiu sua própria família em São Paulo, mulher e filhos. Para ir à Bahia só muito de vez em quando. Onde antes era terra de saudade, hoje é um pedaço da história e uma lembrança não tão presente assim.
Os lugares fazem sentido por conta das pessoas não é senhor José? Disse em tom descontraído. Pausa. “Saudade eu tenho é de quando minha mãe era viva, ia pra Bahia, pra casa dela, isso era bom. “

E fez-se silêncio. Pensei em minha mãe e na chegada do dia em que haverá a última despedida. Não pude conter a emoção. Senhor José com poucos minutos que conversamos seu silêncio disse muito mais do que as palavras. Não são bem os lugares que dizem da nossa existência. Saudade aperta forte pelas pessoas. Saudade não faz barulho.

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