Alta madrugada quase sempre parece irreal.
Fumar um cigarro as sete horas não é o mesmo
que fumar um cigarro as onze, meia noite,
madrugada adentro.
Alguma coisa acontece,
como se as funções determinadas fossem vacilando
e fosse, apesar da noite, ficando mais claro enxergar.
Como se fossemos máquinas programadas e cada vontade,
cada receio fosse predeterminado para ser assim.
Pela primeira vez nos sentimos livres e uma vez livres,
todo peso de nossas escolhas cairia sobre nós.
Na madrugada os pensamentos não se esvão com tanta facilidade.
Por isso escrevemos poemas, para suportar.
E por isso pela manhã nos entregamos de novo,
deixando essa coisa toda que não somos nós
nos controlar, nos levar e nos trazer de volta.
Porque é mais fácil assim,
se não for por nós.
Mas não passa de um retardo e é inútil,
porque a história nunca acaba
e a madrugada sempre vem.

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