Qual o limite?

 

limite

 

Das imbecilidades mais bizarras às ilegitimidades que habitam os fantoches do cotidiano, colorimos as TVs e ruas das mais diversas formas horrendas possíveis. Diante de tanta barbárie moral me questiono se estou mesmo vivendo em 2018 ou em algum ponto da história entre o homem e o macaco.

Não entendo o porquê não encontramos a cada esquina uma tenda colorida e malabares fazendo propaganda devido à tantos sujeitos com habilidades circenses que nem precisam se vestir de palhaços para demonstrarem suas vocações e cá entre nós vestir-se de tal forma certamente seria uma ofensa aos originais.

Me perdoem os leitores que nesses dois primeiros parágrafos puderam deparar-se com uma decorada árvore de indignação. Nem sei bem se é essa a palavra, mas tem dias que a gente acorda assim não? Uma fúria, a goela vibrando rápido querendo expelir e impelir sobre todos o já famoso grito na garganta.

Acontece que se antes isso era um processo cujo final denunciava o nosso limite, hoje as pessoas simplesmente gritam. Gritam porque escutam sim, porque escutam não, porque escutam, porque não escutam. Gritam porque não há nada dentro delas senão um eco ensurdecedor. Sim, usei propositalmente eco por se tratarem de inúmeras repetições de um padrão de fala arbitrária e que só quer engolir o outro.

Ultimamente ando procurando o silêncio. Tenho me poupado de lugares barulhentos, muvucados. É bla bla bla, mimimi, tatata (dá até música de axé isso hein). Confesso que diante de algumas pessoas muitas vezes faço cara de paisagem para não parecer descaso, já que estou tentando minimamente filtrar esse ruído todo. Exercito falar pouco, tenho medo que até meu bom dia possa ser agressivo. Até nos games tem esse “eco”, a galera chama de “rage”. Olha lá o cara dando “rage” – costumam dizer.

Não aguentam perder, não sabem perder, não sabem o que estão perdendo. O que está acontecendo? Eu quero as pessoas de volta sabe? Dos tempos como quando ia à casa de meus primos e brigávamos absurdamente, mas depois queríamos mesmo era brincar e nem importava mesmo quem estava certo ou errado. Que possamos não querer a serenidade cega, mas também que não alimentemos a ignorância verborrágica.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s