Na rua onde eu cresci havia uma mulher, ninguém sabia seu nome e por isso a chamavam de qualquer coisa.
Qualquer coisa era puta
Qualquer coisa era bicha
Qualquer coisa não prestava
Se bem me lembro ela não se zangava, acho até que gostava.
Porque qualquer coisa ja era melhor que coisa nenhuma.
Coisa nenhuma era tudo a mesma coisa e nunca aprovava quem não era também.
Eu nasci coisa nenhuma, mas gostava mais da liberdade que qualquer coisa tinha, então quis ser também.
Aí qualquer coisa era vagabundo
Qualquer coisa não valia nada
Qualquer coisa era maconheiro
Qualquer coisa não ia chegar em lugar nenhum
Mas eu entendia que qualquer coisa não era nada, então podia ser tudo e, por conta disso respeitava tudo.
Coisa nehuma era tudo o que era, então não podia ser nada e por isso odiava tudo.

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