Já não choro mais!
Não de mochila e lancheira, fazendo pirraça pra não ir pra escola.
Já não rio mais!
Não do desenho animado sem pé e nem cabeça na televisão.
Já nem fantasio mais!
Não com as roupas da minha mãe, fazendo teatrinho na sala de casa para a família aplaudir.
Troquei minhas certezas todas por um punhado de dúvidas. Hoje choro no trabalho, morro de rir na mesa do bar. Fiz do teatrinho profissão, e do choro e da risada alheia o meu ganha pão.
Troquei as brincadeiras no chuveiro por navegar o coração de uma mulher.
Deixei de ter medo da minha mãe e passei a ter medo de deus.
Vim caminhando até aqui, pé ante pé, sem pegar atalho ou carona.
Vi alguns dentes caírem, o amor chegar e partir.
Levei tempo pra gostar de morar em mim. As vezes ainda me estranho, então me enfrento, me rasgo e fico bem.
A gente leva tempo para aceitar que o tempo é a gente. Que simplesmente não da pra evitar, a gente cresce, a cara muda, o corpo pesa e a vontade aumenta.
As contas atrasam, alguns sonhos se vão, outros chegam no lugar.
A gente bate o nó dos dedos na porta de uma década nova, e percebe sem querer, que não importa quantas voltas Saturno dê em torno de você, a vida toda é a hora certa de começar a viver.

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