Algumas noites quando olho da minha janela e lá fora os prédios me olham de volta, com seus dezesseis andares de olhos que nunca se fecham, nunca descansam.
Se um dia ficasse escuro como nos foi dito que o escuro deve ser, poderíamos enxergar as estrelas ou elas abandonaram as grandes cidades?
Hoje vou sair daqui e caminharei de volta até o pé da velha montanha, onde todos os dias ao erguer da lua tudo se transforma em um lago negro e infinito.
Lá, com seu candeeiro e seus cabelos, dourados os dois, você iluminará a trilha que conhecemos tão bem quanto a nós mesmos. Quando chegarmos à ponte você vai soltar minhas mãos e soprar em meus ouvidos:

_ Talvez a tua sabedoria te sufoque um dia

O fundo daquele rio é coberto por moedas douradas e brilhantes como seus cabelos, moedas que jogamos em troca de sonhos que nunca acontecerão, porque não estávamos dormindo, nós estivemos acordados acontecendo, você e eu.

_ Já não somos mais os mesmos
_Como poderíamos ser?

Não depois dessa cidade, onde se contam prédios como estrelas.

 

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