Somos todos putas

 

stp

 

 

Dias atrás uma grande amiga postou um stories dizendo sobre como testemunhou uma cena do cotidiano dos tempos atuais. Estava ela vendo uma vitrine quando uma mulher se posicionou ao seu lado para olhar também e disse para outra pessoa que estava com ela:

Ela: “Nossa que vestido lindo!”

Ele: “Você vai parecer uma puta se usar esse vestido”

Essa pessoa que a acompanhava era um homem. Indignada com o discurso, minha amiga disse:

“Então seremos duas putas porque também achei o vestido lindo!”

Incomodado com o comentário o homem da cena simplesmente segurou a mulher pelo braço e a puxou, retirando-a do local.

Respondi ao stories dessa minha amiga dizendo: “Então pode somar mais uma puta nessa conta porque mesmo sem ver o vestido eu o achei lindo e o vestiria.”

Eu colocaria o vestido, saia e até batom se fosse o caso. Agora eu pergunto à vocês: O que tais elementos diriam da minha pessoa? Como eles seriam determinantes na definição do meu caráter, moral, profissão, crença ou sexualidade?

Enquanto discursos como este estiverem nas bocas e introjetados nas pessoas, difícil será até mesmo vestir uma camiseta e bermuda em dia frio sem que existam julgamentos gratuitos, impertinentes e sem qualquer escrúpulo.

O pequenino exemplo que comentei aqui é algo que certamente está no cotidiano de muita gente e em todo lugar, esse ruído, essa sujeira não me espanta, mas o silêncio sim.

A maior violência é quando você desumaniza o outro, não o reconhece como sujeito. Quantos de nós já não testemunhamos cenas parecidas ou com teor que diminui, ridiculariza ou banaliza o sujeito, a vida ou as relações? Não estamos somente em tempos de debates, estamos sangrando e essa ferida aberta dói, e dói muito.

Estamos em tempos de uma necessidade urgente de reconhecer o outro, de tirarmos nossa armadura interna, dar um tapa em nossa própria cara e largar a mão de sermos meros agentes passivos, ingredientes podres da massa. A alma em sua essência precisa de alimento, formação de identidades legítimas, princípios éticos que devem estar além dos livros, palestras ou sites de movimentos sociais.

Em tempos de tanta “liberdade de expressão” muitos podem falar, mas poucos tem coragem para ter voz.

 

por @bob_inconsciente

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