Copa, assédio e feminismo

 

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Minha esposa, @camilashumf, me recomendou escrever sobre o assédio que mulheres vêm sofrendo na Copa do Mundo.
Para minha sorte, hoje fiz uma gravação com a @alineluta, atleta olímpica de Wrestling e única pessoa brasileira medalhista mundial no esporte. Além disso, ela trabalha num projeto social que empodera meninas, chamado Mempodera.
Hoje, vou dar voz a ela. Vou transcrever parte da nossa conversa, pois o espaço é pequeno e o papo foi muito rico.
Com a palavra, Aline: “O problema é como a sociedade se posiciona em relação à mulher. Como atleta, percebo que quando a mídia expõe a mulher em seu esporte, procura momentos considerados “femininos”, como fragilidade e beleza, quase sempre explorando sexualidade e sensualidade. Enquanto nos homens, se explora a força e o vigor.
É preciso mudar o olhar para a mulher, se queremos que esse tipo de assédio não aconteça. Desconstruir a questão de gênero e sexo. Por exemplo, não sou de chorar fácil, não sou sensível, não gosto de romance e essas são coisas consideradas femininas. Por quê? Para quem? É preciso desmistificar. A mulher precisa entender seu poder na sociedade e se posicionar. Deixar de ter medo.
Eu sofro assédio e preconceito por ser mulher e por ser mulher atleta. Fora do país, homens me dizem que brasileira tem que ter bundão e sambar. Perto das olimpíadas, a mídia me chama para falar de beleza, quando estou indo lutar. Não foi a minha beleza que me classificou. Eu considero isso assédio.
Tem que corrigir os olhares. Uma vez que se passe a olhar para a mulher como capaz de ser o que ela quiser, valorizarão suas competências e não só sua aparência.
O patriarcado fez a mulher não se sentir em casa no mundo. Como se não pudéssemos nos sentir à vontade, temos que usar salto, saia, maquiagem e tal. Acontece que o mundo também é nosso, aqui é nossa casa e nós vamos ficar à vontade. Eu me arrumo como quiser, para me sentir bonita como quiser, quando eu quiser.
Temos que preparar a mulher para entender o que é um abuso. Muitas são abusadas e não se dão conta. A sociedade não nos abraça. Precisamos criar condições favoráveis para as mulheres se sentirem seguras para denunciar”.

 

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