Trégua

 

trégua

 

 

Quanto desespero é preciso, para que volte a esperança?

Quanta raiva é o bastante, para que venha a calma?

Quanto sangue é suficiente, para que calem a morte?

Quanta guerra será santa, até que haja trégua?

A maldade confundiu poder com violência, autoridade com homicídio e sucesso com riqueza.

A mentira fez do branco honesto, do negro escravo e do pobre culpado.

Num desajuste monocromático, justificaram a ganância e a desigualdade.

Mas para quem acredita no colorido que dá vida ao quadro, vamos pintar as  cores de verdade.

Sucesso é viver um pesadelo e não desistir de sonhar.

Autoridade é conceder, à quem mais precisa, o primeiro lugar.

Escravo é quem vive algemado por seus preconceitos.

Culpado é quem desvia o olhar da miséria, para conseguir dormir bem, sem culpa no peito.

Amar é o maior poder que existe, porque é nele que mora o futuro desejável. Não que o amor seja a resposta de tudo, mas é só o amor que torna a vida amável.

Trégua.

*Texto escrito especialmente para o Show-Sarau “Márcio Lugo e A Casa Vulgar”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s