Delírio meu.

delírio meu

 

 

Deito enquanto a chuva fina anda na ponta dos pés
lá fora, estou olhando para o teto por longos minutos.
Essa é só mais uma das minhas manias, e, conforme
o relógio avança, as manias vão se amontoando
dentro do meu corpo, as lembranças arranham
a janela, espalhando as gotas, produzindo aqueles
barulhos insuportáveis. Eu estou me perdendo,
migalha após migalha, no melhor estilo João e Maria,
com apenas fragmentos de momentos bons.
Parece, mas esses não são pensamentos de
autopiedade ou depressivos, talvez sejam pensamentos
de silêncio sempre a falar na minha cabeça, não sei
superar as perdas e não me avisaram que a vida seria
cheia delas. Mas, enfim, eu paro de pensar nas perdas,
olho para os meus livros, meus sapatos gastos, tudo
aquilo tem um pouco de mim, meio gasto, meio
silencioso, meio invisível.
O relógio de parede dá o tom, o tempo é duro, mas,
são ponderações demais, gotas demais, sapatos demais
e pessoas de menos, uma a uma, elas vão descendo
feito as gotas que escorrem pela minha janela, mas
com uma diferença: não são substituídas por alguma
outra nova gota, vão virando borrões e sumindo
e turvando a minha visão.

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