Olhe para as suas mãos agora, atente-se para as dobras dos dedos, palma, textura, costas. Mãos, ah essas mãos, elas nunca mentem. O que elas lhe dizem em sua intimidade? Podem usar o creme mais rejuvenescedor, a cirurgia plástica até então mais sofisticada ou o método mais milenar para tentar parar o tempo no nosso corpo, que nada esconderá o que suas mãos já testemunharam.

Sempre nuas, elas entregam ao outro os caminhos que já percorreram. Por vezes, senão sempre, elas ditaram o caminho. Por aqui sim, por ali não. Eu quero aqui! Venha aqui! Aperta aqui! Quero assim! Deixa eu ficar! Vamos por ali! Sem pudor acariciam, mesmo que discretamente, a volúpia alheia. Uma dança de dedos à meia luz, agarram, esfregam, introduzem, deslizam de maneira ritmada e se fundem ao desejo.

Pelas mãos desnudamos a distância e trazemos para nós alguém que chora. Amparamos, pois as mãos são ponte para o abraço. Lembro-me que ao viver uma paixão platônica quando era criança, meus olhos brilhavam diante da simples possibilidade de andar de mãos dadas com aquela cujo amor belo e bom que eu sentia era para ela. As mãos dadas bastavam, era meu sonho. Talvez até fosse um gesto ingênuo da minha parte, e na verdade era mesmo, porém hoje vejo que aquilo dizia algo sobre o termo “nós”, dizia sobre conectar-se a alguém.

As mãos dizem das conexões. “Te quero perto”. Pessoas que não andam de mãos dadas talvez não enxerguem na mesma direção, fica tudo muito solto não? E quando olharmos, o outro poderá até ter ido embora sem percebermos. Mãos distantes não aquecem e perder-se é permitir que as mãos não se toquem mais.

Me recordo também que antes do meu primeiro beijo, as mãos foram as que se tocaram primeiro. Elas já estavam ali, se conhecendo e se beijando. Estávamos em um teatro, eu já havia trocado olhares e o próximo passo era esse, as mãos. Fiquei uns dias tentando achar o momento para tocá-las. Até que sentamos um ao lado do outro e sem dizer uma só palavra estávamos ali, timidamente de mãos dadas. As bocas se encontraram depois, mas apenas concretizaram e decoraram aquele momento onde a física sabiamente me ensinou que mãos que se acariciam aumentam drasticamente a temperatura do corpo.

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