Radiohead e amores perdidos

“I´m a creep, I´m a weirdo
What the hell am I doing here?
I don´t belong here.”

(Radiohead)

 

Deitada na cama, exausta de tanto chorar. Checa o celular mais uma vez, e ele, apesar de estar online, não respondeu sua mensagem. Outro sábado a noite esperando. Nada. A playlist depressiva tocando Creep e ela concordando totalmente com a letra, arrasada.

Repassa mentalmente os encontros com ele, os momentos felizes de intimidade falsa, a entrega unilateral. Analisa obsessivamente falas, beijos, cenários, o histórico de mensagens tentando entender. Deve haver uma explicação para ele não me ligar, não me querer, não estar aqui ao meu lado.

A pergunta “o que estou fazendo aqui?” vem de novo, acompanhada de um desejo forte de acabar com tudo, pôr fim ao sofrimento. Poderia tomar todos aqueles remédios que o psiquiatra impaciente prescreveu, se atirar da janela, mas tem medo. Checa o celular. Pensa em ligar para uma amiga, mas ninguém atende.

Talvez você já tenha se sentido assim. Talvez já desperdiçou seu tempo e lágrimas com quem não se importa com você, ou tenha se sentido a pior pessoa do mundo.

Chorei inúmeras vezes ouvindo essa música. Concluí depois de muita reflexão que não adianta nada. O modo como nos sentimos não muda os sentimentos do outro, e reciprocidade não é algo que pode ser barganhado. E mais: quem gosta dá valor, liga, se importa, não te ofende e não some no sábado a noite para reaparecer em horário comercial na segunda. Simples assim.

Abandonar amores impossíveis e irreais talvez seja a grande decisão. Procurar se conhecer mais, perceber que pertencemos sim a esse mundo, que somos bilhões e deve ter alguém mais interessante por aí, entender que a vida passa muito depressa e não dá para perder tempo.

Domingo ouvindo pela primeira vez o Radiohead ao vivo as lágrimas vieram. Mas dessa vez foram de emoção e senso de pertencimento.  Consegui desmistificar a ideia que amor tem que ser acompanhado de sofrimento e entendi que não posso mudar os acontecimentos, mas a forma como reajo a eles. E hoje quem decide a trilha sonora da minha vida sou eu.

 

Cecília Attux

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s