Recolha os seus cacos, eles são você.

 

recolha

 

A natureza de qualquer relacionamento é a troca. Relacionamento é o espaço onde
compartilhamos tempo e sonhos. Colocamos boa parte do que somos nas mãos do
outro, por amor, porque amar é dar-se.
Há quem pegue o que entregamos de nós e quebre, contudo. Nos transformam em
cacos.
Antes de seguir, um esclarecimento: detesto vitimismo e coitadismo. As pessoas
fazem de nós aquilo que nós deixamos que elas façam. Em última análise, somos
sempre responsáveis por aquilo que vivemos. Pelo espaço que demos aos outros,
nos tornando vulneráveis. A vulnerabilidade é o preço de amar e, por isso, amar não
é para os covardes.
Amar é só para quem é corajoso o suficiente para perder.
Voltando ao assunto, cacos. Essas partes quebradas de nós, são nossas. Essas
partes quebradas de nós, somos nós. Os seus cacos são você. Por isso, é
importante recolher aquilo de você que se estraçalhou pelo chão, a fim de recuperar
a sua integridade.
Se você não se recolher, jamais poderá se refazer. Partes de você estarão para
sempre ausentes. O amor romântico, de príncipes e princesas, diz que esse
sentimento de ausência pode ser preenchido por um amor “para sempre”. Não, não
pode. O que pode preencher a sua ausência é a sua própria presença.
Não, você não precisa de alguém que te complete, ao contrário, você precisa ser
por inteiro. Só quem é inteiro pode amar inteiramente. Só se você estiver inteiro
poderá ser inteiramente amado.
Recolher o que de você foi transformado em cacos é deixar claro que ninguém é
seu dono, porque podem até te despedaçar, mas só até você tomar-se de volta para
si. Você tem o controle de sua vida, inclusive dos seus cacos.
Cuidado ao entregar-se, sobretudo o seu tempo, porque tempo nenhum é
recuperável. Mas por outro lado arrisque-se, porque mesmo que te quebrem, essas
partes ainda serão você, e reunidas, ainda serão seus sonhos.
É verdade, você estará fraturado. E quem não está? A verdade é que não há
relacionamentos sem cicatrizes. Amar-se é não se abandonar quebrado no chão e
maturidade é aceitar que viver é remendar-se.

 

@lucaslujan

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