Amor não é romance

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Amor não é romance. A distinção é simples. Romance é estilo literário que surgiu na
Idade Média, coroado na prosa da literatura moderna. Amor está conectado à um
sentimento básico do ser humano: afeto. Está presente desde sempre em nossa
história. Onde quero chegar com isso? Na desilusão.
Há quem considere a desilusão uma tristeza, já eu considero tristes os que andam
iludidos. O que pode ser mais triste do que esperar por algo que não existe? Foi só
quando me desiludi do romance que pude amar.
O romance me prometia uma princesa, frágil, delicada, submissa, detida numa torre
de marfim, à espera de um príncipe para liberta-la e sermos felizes para sempre.
Que bobagem. A fraqueza da metáfora já começa por me colocar na condição de
príncipe – coisa que, mesmo sendo meio lento, já saquei que não sou. Conto de
fadas para crianças e adultos que gostam de viver fantasiando.
Amor é outra coisa, menos “te amarei para sempre” e mais “te amarei até o fim do
dia”. É fácil fazer promessas do tipo “para sempre”, porque “para sempre” é lugar
nenhum. Difícil mesmo é manter promessas concretas.
O amor só pode acontecer em liberdade, já que ninguém pode ser obrigado a amar.
Amar é não esperar da minha esposa que seja uma princesa, mas dar espaço e
liberdade para que ela seja quem quiser ser, feliz e livre – e se a felicidade dela
estiver longe de mim, que ela voe. Romance é pássaro engaiolado – e quem está
preso sempre quer fugir. Amor é porta aberta, para que a volta seja livre, por
vontade de ficar. De porta aberta, a pessoa amada é sempre convidada, de porta
fechada, se torna refém.
Romance é buquê de flores. Amor é semente: sem ele não há flor, nem pétala, nem
perfume, nem cor. Romance é um encantamento, idealização que não aguenta a
crueza da realidade. Amor é decisão, compromisso, desapego, capaz de enfrentar a
dureza dos dias sem perder a beleza de ser porque quer.
Maior glamour há no beijo de bom dia do que num jantar chique à luz de velas,
porque neles não há o mau hálito que só os anos repartindo a mesma cama
aprendem a suportar. Porque romance é restaurante caro, mas amor é beijar o
mesmo bafo todas as manhãs.

Lucas Lujan

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