A fábula

Há, imagino eu, uma espécie de desorganização em todas as coisas.
A maior parte das pessoas, que é a parte de dentro, acredita sem muito esforço no contrário. Que para tudo existe um sentido e mais do que isso uma lógica.
Conseguem enxergar de maneira quase matemática um gráfico que justifique desde a rebeldia da água salgada em noites de lua alta, até uma sequência de acontecimentos que a olhos menos treinados pareceria um ato desesperado do acaso.
Por causa disso não sofrem, ou sofram menos eu acho.
Não acordam de um salto furando a madrugada, encharcados, pois sonhavam que se estapeavam a noite toda com os fantasmas de algumas certezas.
Ou talvez até acordem, assustados e suados, mas de alma apaziguada pela garantia de que as mazelas todas serão remediadas.
Eu, sujeito torto que sou, nasci com deficiência desse tal lado. De minha parte, a parte de dentro é claro, me parece as vezes vazia e deus, como cabem coisas no vazio.
Uma ideia a custo construída, no minuto seguinte desanda por conta de um questionamento recorrente de um estalo.
O mundo desaba e recomeça.
Invejo os que com fé sabem pelo o que esperar,
enquanto que eu,
todo dia de manhã,
tenho a obrigação de me inventar

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