2017

time

 

Mais um ano, 365 dias ou 366, eu não sei nada sobre os calendários e gostaria que eles não soubessem nada sobre mim. Foi um ano estranho, cheio de contrastes entre o voo e o precipício, mas no fundo acho que sempre foi assim, sempre estive próximo a raiz das coisas, sempre entendi que quanto maior o amor, maior o sofrimento, é dramático eu sei, mas não consigo ser de outra forma, eu não existiria e seria como a multidão de pessoas “felizes” que optaram por apenas parecer e não viver.

Vi a vida nascendo quando peguei o bebê mais bonito do mundo nos meus braços, também me vi morrendo mais um pouco quando o tempo passou pelo dia 16 de fevereiro, neste eu me apaixonei pela minha finitude e aprendi que a eternidade mata qualquer amor.

Neste ano eu percebi que as pessoas têm um tempo certo em minha vida, um tempo para ser vivido com intensidade até chegarmos no ponto onde os nossos caminhos se separam, as pessoas precisam partir para ficarem eternizadas em mim.

Chorei muito, chorei só, fiquei com medo do futuro, fiquei com medo de não conseguir ser forte para abrigar as pessoas que eu amo e aprendi que eu preciso de abrigo, falei o idioma da minha fraqueza.

Aprendi que não devo dizer eu te amo, exceto se existir uma imensa distância física, caso contrário eu devo fazer um te amo, todos os dias, silenciosamente como uma música que desistiu dos sons, as pessoas falam demais e amam de menos.

Foram muitos aprendizados e principalmente sobre o que devo desaprender, devo deixar meus planos, tenho que tentar tocar as pessoas, tenho que ver mais olhos dentro dos meus olhos, tenho que ver meu sobrinho crescer, tenho que seguir em frente e passar por mais um 16 de Fevereiro, tenho que amar aqueles que estão aqui comigo, tenho que olhar para eles, tenho que escutar o som do meu nome “Izaias” é íntimo, tenho que tomar uma caneca de café todos os dias, ler, tenho que escrever histórias, descobrir poesias e estar nu, quando falo de nudez, não falo sobre a ausência de roupas, mas falo de estar vestido com verdade. Talvez ainda dê tempo, talvez o último amor esteja por aí, talvez exista alguém que me chame de Izaias e que ame este meu ser estranho, talvez. O talvez é uma esperança disfarçada.

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