Sobre gaiolas, memorias e solidão.

Bem aventurados os consumidos,
pois nenhum só dia sobre a terra
eles deixarão de existir.

Não entendo ainda o silêncio, algumas coisas que leio nele me contam infinitudes sobre mim, outras não dizem nada.
Caminho até a porta dos fundos e na parede descansa uma gaiola vazia. A liberdade privada dos pássaros é a unica coisa capaz de justificar o motivo da gaiola existir, no entanto ela descansa vazia.
O que me justifica?
As vezes minhas vontades me bastam, as vezes parece faltar outras que venham de outros lugares, prontas para serem guardadas sob o abdômen, feito gaiola que encontra sentido em ser preenchido.
Não me parece errado que se façam longas viagens para dentro e para dentro de si. O ser é um oceano quieto, com urgências de ser visitado. Mas quanto tempo levo até admitir que é solidão o que habito, para assumir que não vim aqui para não ser mastigado.
Eu tenho para mim que se deixar consumir por outros é uma bela maneira de se fazer eterno.
Memorias não envelhecem,
e eu tenho medo de estar ficando velho demais para habita-las.

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