Pouco importa histórias que não contam.

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Calma, não sou a favor da cultura da ignorância e tampouco desprezo o que acontece com os outros. Valorizo o desejo de conhecimento, a vontade de saber o que não foi dito, a necessidade da informação. Entendo que observar ao nosso redor é um excelente jeito de aprender. E custa quase nada, só um punhado de atenção.

Voltando ao título, me refiro aos vários fatos desimportantes que preenchem nosso dia e aos quais damos, de fato, uma importância bem maior do que deveriam ter. Isso é uma coisa interessante de se pensar. O que não importa toma um lugar na nossa vida que deveria ser ocupado pelas coisas boas e de valor. Tão óbvio quanto inexplicável.

Bem, o caso pode ser uma questão de conhecimento. Até de educação cultural, me arrisco a dizer. Olha só, quanto mais informados, mais pensantes somos. Melhor fica nossa capacidade de compreensão dos fatos. Mais inteligente passa a ser a nossa avaliação. Maior o nosso poder de separar o que não interessa daquilo que realmente importa. Mas enfim, a quem interessa sermos mais competentes em nossos julgamentos? Pra começar, a nós mesmos.

Deixando de lado as questões políticas, onde o descompromisso com a verdade é natural, noto que certas muitas pessoas se preocupam demais com aquilo que é superficial, acreditam nas frágeis verdades aparentes que ainda não foram confirmadas. E algumas muitas vezes sofrem demais por isso.

O desimportante é quase sempre uma suposta verdade. É um bicho estranho, cuja maior característica é parecer o que não é. Os arranjos da vida nos fazem acreditar em várias destas suposições. Quer ver? O valor da propina importa mais que a honestidade. Limpar a cidade é mais urgente do que cuidar de quem dorme debaixo da marquise. Arrumar a cama, logo que se levanta, é mais importante do que saborear o café quente se espreguiçando na janela. O barulho que a criança faz se sobrepõe à alegria da brincadeira. O atraso anula toda emoção da presença. Estar conectado o tempo todo – e acessível dia e noite – é mais valioso do que a liberdade. Infelizmente, demoramos um pouco para perceber que as teclas de hoje são os parafusos dos tempos modernos.

Como separar o riso do choro?

Antes, vamos entender que tem choro bom e lágrima amarga. Tem riso franco e gargalhada à toa. Isso pode dificultar um pouco as coisas.

Se alguém me perguntasse como fazer para valorizar somente o bom, eu não saberia responder. Até porque sofro do mesmo mal. Todo mundo sofre. Então, se alguém aí sabe como, que conte por favor. Essa história muito me interessa. Porém, não será minha ignorância a me impedir de praticar. Não vou parar. Afinal, eu também posso ser o bicho que vai desafinar o coro dos contentes.

O que me faz acreditar nisso?
Por mais louco que possa parecer, sei que ainda me resta a escolha.

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