confissão miúda feito foto 3×4

rain

 

 

Realmente estou cansado, parei um tempo e comecei a me perceber, comecei a olhar os meus cansados olhos castanhos, olhos que não enxergam mais e eu não estou falando da minha miopia, falo de olhar o mundo. Faz tempo que não penso nos meus passos, não sinto o chão carinhoso que me mantém em pé, não penso nos sabores, nas cores, parei de reparar nas crianças, não vejo o céu, só enxergo a repetição diária e estranha, talvez você deva parar por aqui. O que eu me tornei? Uma máquina antiquada e decadente, talvez todos se sintam assim. A agenda do meu celular está repleta de rostos que eu nunca irei ver, pessoas que me usaram como um ouvido e foram embora e hoje vivem nessa tela luminosa, eu me sinto dentro de uma página em branco onde o infinito e o nada disputam lugar. Perfis e perfis, curtidas e comentários, seguidores e seguidos, pessoas tão parecidas, algumas são muito atentas, não querem meus olhos, mas querem ver a minha foto na lista de seguidores, seguir por qual caminho? Os meus amores falharam absolutamente, não tenho aptidão para amar e ser amado e isso é estranho para alguém que escreve sobre o amor e que no fundo não passa de um observador que imagina uma vida, mas imaginar dói muito, pois encontro meu reflexo solitário todos os dias e ele me diz uma única palavra: impossível. Eu ainda escrevo, escrevo algumas palavras e dentro dos meus erros gramaticais existe algum sentimento, um alívio para dor tão silenciosa que mora aqui dentro, dores invisíveis que caminham comigo, mas escrever faz com que eu me sinta um pouco melhor, devo estar no lugar errado, escrevendo um texto longo, falando sobre a dor em uma rede social, mas esse pequeno espaço foi conquistado com verdade, cada palavra que deixei aqui é perfumada com verdade, não escrevi para impressionar ninguém, não forcei ninguém a ler as minhas palavras, não quero falar sobre o seu nome ou seu signo ou dizer como você deve viver, existem muitos por ai que fazem isso muito melhor do que eu, quero que depois desse texto você desconstrua qualquer imagem minha que não seja parecida com esse texto, não sei como cheguei aqui e também não sei como você chegou ao fim desse texto estranho e confuso.

Mas quero te agradecer.

Obrigado.

 

4 comentários

    1. Nada de estranho ou confuso num texto em que sua alma está nua transparecendo a essência do homem “demasiado humano” que poucos são capazes de ver, talves se sentindo aprisionado nas expectativas e idealizações alheias. Já te falei que admiro o Isaías, esse escritor amante das palavras que deposita nas páginas em branco um pouco do que a voz, emudecida, gostaria de dizer para além do Zack. Sim te admiro de forma racional, por quem você é de fato e por isso comprei o seu livro, pois sei que milhões de seguidores, curtidas e comentários, não pagarão suas contas no final do mês. Imagina se cada seguidor que se diz “fã” comprasse o seu livro. Talvez mudaria esse sentimento de estar dentro de uma página em branco onde o vazio e o infinito disputam lugar. Obrigado por seus textos vicerais, pois nas entrelinhas estão impressas as digitais do humano para além das expectativas e das palavras.

      P.S (Aos leitores, fãs, admiradores ou seja lá o que for que tal provar o seu carinho e admiração de forma efetiva, ou seja, comprando o livro dos autores que vocês admiram. Talvez este seja o maior incentivo para que se sintam valorizados e continuem produzindo seus livros. Esse é o reconhecimento real.)

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