Aprendi a andar por aí de alma calçada.

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Estou partindo, me disse o amigo sorridente.
Vou fazer o caminho, ele completou.

Senti uma alegria inexplicável, como se fosse eu o viajante. Devolvi o sorriso, acenei de longe, coloquei a mão no coração, desejei a melhor sorte. Era mais um dos nossos encontros na garagem. Ele apressado, em direção ao carro. Eu parado, segurando a porta do elevador. Ele foi, eu fiquei. A pergunta também: porque não entreguei a ele meu abraço?

Na mochila o necessário. No coração, o essencial.

O abraço não dado fez mais falta em mim. O amigo até hoje nem desconfia qual era a minha intenção naquele momento. Ele estava preparado. Claro, muitos braços tinham acalentado a sua despedida. Ainda bem. Tenho certeza que o caminho ficou mais leve a cada lembrança que a sua alma tratou de armazenar.

Não fazer me fez pesar a falta.

Perdi a chance de acompanhar meu amigo. O pior é que eu sei bem o quanto isso é importante. Nem a melhor das intenções será capaz de atingir um coração. Pra valer tem que sair do desejo e partir para o abraço. Chega de cafés prometidos e não cumpridos, basta de vontades sinceras que esfriam esperando o encontro.

Ele partiu e eu aprendi.

Nunca mais guardarei nenhum abraço só para mim. Levarei comigo todos os abraços que ganhar. Vou calçar minha alma de tantas boas emoções que, mesmo andando pelos caminhos mais duros, jamais sentirei a falta dos meus sapatos.

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