Carta aberta a pequena Olivia

Marcha-das-mulheresOlivia,
Hoje me deram parabéns algumas vezes, ganhei flores, chocolates e uns elogios na rua.
Hoje é o meu dia. É o seu dia também.
Não, não é nosso aniversário. Na verdade, falta um mês para o meu e não sei quanto tempo para o seu.
Hoje é Dia da Mulher.
Dia que acham que merecemos ser parabenizadas, dia em que o homem que vai lavar a louça, abrir a porta do carro e dizer que te ama mais do que o de costume.
Não queremos parabéns, não queremos que lavem a louça e nem que abram a porta do carro, nem que falem “Eu te amo”.
Queremos respeito.
Queremos andar na rua sem ter medo.
Queremos usar shorts curto.
Queremos passar batom vermelho.
Queremos beijar quem quisermos, sem sermos julgadas.
Queremos sentar do jeito que quisermos, sem nos preocupar se estamos sentadas feito mocinha.
Queremos amar sem preconceitos.
Queremos salários iguais.
Queremos direitos iguais.
Queremos direito sobre os nossos corpos.
Queremos aborto legalizado.

Olivia,
Essa é uma luta que não é de hoje.
Pelo contrário. Sua avó já lutava por isso e até sua bisavó, mesmo que de forma mais pacata e discreta.
Os tempos mudaram, Olivia, mas a cabeça da maioria das pessoas não.
Você sabia que 98% das mulheres já foram assediadas? Isso é preocupante, né?
Mulheres sofrem o primeiro assédio com 10, 11, 12 anos.
Em pleno 2016 ainda existem gente assediando crianças.
Assediando mulheres.
Beijando sem consentimento.
Estuprando.
Falando que mereceu ser estuprada.

Olivia,
Hoje essa luta se torna mais forte.
Vamos às ruas.
Vamos reivindicar os nossos direitos.
Não vamos ficar caladas.
Mas essa luta, criança, não é só hoje.
Essa luta é travada todos os dias.
Mas essa luta, criança, não é só para mim.
Ou para as mulheres de agora.
É, também, para você.
Quero que você possa se vestir da forma que quiser.
Quero que você possa sentar do jeito que quiser.
Quero que você ame sem preconceitos.
Que você receba o mesmo salário que um homem.
Quero que você tenha os mesmos direitos de um homem.
Quero que você mande no seu corpo.
Quero que você aborte sem medo de perder a vida em uma maca de uma clínica clandestina.

Olivia,
Você ainda nem está aqui.
Nem sei quando vai estar.
Ou se vai estar.
Só sei que esse é meu maior desejo.
Que quando for sua hora de viver o 8 de Março, você olhe para trás e se orgulhe de todas as conquistas das mulheres que vieram antes de você tiveram.
Da mesma forma que eu me orgulho.
E sei que a luta não tem fim.
Ainda desejando, lá no fundo, que ela tenha sim.

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