Bandeira Negra

Fumar um cigarro sentado a beira da deserta auto estrada, nas primeiras horas do dia, é algo que tenho feito frequentemente… metaforicamente.
Expelindo fumaça pelas ventas, regando a garganta com Whisky barato e agarrando a sorte pelos dentes.
Algo em mim sempre me remeteu aos velhos piratas europeus, não sei se o velho hábito de trazer comigo um espírito e uma carcaça imundos ou a falta de uma perna que me permitisse chegar a algum lugar, a  fugir antes do amanhecer, atrelado afetivamente a um navio caindo aos pedaços, a uma tripulação dos mais variados patifes já encontrados na face da terra e a uma bandeira negra, ordinária, cravada no topo de minha cabeça.
Um pirata retórico, a beira de uma deserta auto estrada, 5:45 da manhã, cigarro apagado numa mão, o desejo de uma garrafa de gim na outra.
É assim que tenho me sentido frequentemente… Metafisicamente.

A espera de que algo ilógico aconteça, que Godoh apareça e não me faça comentários sobre o tempo. 

4 comentários

  1. -Vamos embora!
    -A gente não pode.
    – Por que?
    -Estamos esperando Godot.
    – É mesmo.
    (Samuel Beckett)

    Continuamos à espera…

    Excelente wallywilde!!

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