Uma tarde em Eîdos (ou O dia em que Godot não veio mas mandou um whats)

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Injúria!
Você e eu somos a injúria!
Estivemos aqui sentados talhando rostos em madeira oca, questionando relações vazias que mais se tratavam de nós mesmos que de qualquer outra pessoa.
Estivemos fielmente dedicados a espera de algo que nunca soubemos o que era, e pra que?
Para que lá fora agora, alguém tão ou mais intangível do que nós, nos desse o gozo sacro da aprovação.
Os sentimentos!
Esses dos quais estivemos esse tempo todo discutindo.
Você sentiu?
Foi proposto que existissem e até sugerido seus efeitos. Mas ao nos desligarmos das ideias, quem compareceu?
Ninguém mais esteve lá, o que era físico esteve tão ausente que padeceu.
Ao nos munir da verdade por nós mesmo arquitetada esquecemos tudo e de repente não sabíamos nada.
Quem nos pariu?
Que mãos nos tocaram?
Quem foi o autor da frase que tanto uso e quem protagonizou as causas que me apropriei?
Há uma linha muito tênue entre a ação e a ideia,
um sutil detalhe que separa quem fomos das projeções sociais que somos.
Em uma galeria ideal, a vaidade exibe à cores o almejo do homem ausente.
Pra onde fomos, quando de repente, não estávamos mais aqui?
Há uma fronteira entre o real e o abstrato,
mas quem dirá de qual lado estamos?

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