Teoremas de navegação

Fishing boat on the beach at sunrise time
As advertências do Ministério da Saúde
atrás do maço de cigarros aconselhava em letras claras:
“Se você não for, não poderá voltar”. 

Soledade é quando se troca o nome de todas as coisas.
É um espasmo violento de uma estrada contra a outra.
O pulmão inflado ao máximo, forçando a entrada de mais ar.
Naquela parede firme há um orifício
por onde, através dele, se enxerga com clareza o mar,
às vezes azul, às vezes verde, tantas vezes castanho.

_ Você não precisa ir.
_ Eu não estou cansado ainda.

Quando eu atraquei, o que me ancorava era você.
E cada rua se fez porto, de onde os barcos vêem o amanhecer.
Eu nunca fui inteiro, mas já fui primeiro
e, ao que me diz respeito, tanta coisa fiz brotar.
Tomei emprestado uma nudez forçada, pra que fosse claro e fosse notar,
um orifício aberto no abdômen firme,
por onde através dele se enxergasse turvo
todos os mares hoje calmos, quase calados,
de onde, embora já não fosse a hora,
descansei.

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